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Inf.10/135 - BRADESCO ACELERA EXPANSÃO NO CRÉDITO PARA EMPRESAS PDF Imprimir E-mail
Sex, 29 de Janeiro de 2010 10:30

A retomada econômica e a forte demanda por investimentos levaram o Bradesco a alterar o foco no pós-crise. Ao contrário do que vinha ocorrendo nos últimos trimestres, o crédito para empresas deve apresentar crescimento mais acelerado do que as linhas para o consumo em 2010.

O banco espera expansão entre 25% e 29% do estoque da sua carteira para pessoas jurídicas, acima dos patamares entre 16% e 20% estimados para o saldo das pessoas físicas. Entre as companhias de pequeno e médio portes, o avanço deve ser ainda maior, entre 28% e 32%.

 
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"Se o motor da economia, num primeiro momento, foi o consumo, em 2010 o motor vai ser o investimento", disse Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do Bradesco, em teleconferência para jornalistas.

Segundo ele, desde setembro as companhias voltaram a acelerar suas atividades, mas ainda não estão com suas capacidades produtivas rodando a plena carga, o que se reflete em uma menor demanda por capital de giro. Mas o crescimento acelerado da economia neste ano, "ao redor de 6%", leva a uma necessidade maior de linhas de empréstimo.

E essa maior procura já é sentida nos comitês de crédito da instituição. "Estamos com muita demanda por investimento", completa Domingos Figueiredo de Abreu, vice-presidente do Bradesco.

Abreu ressaltou que o crescimento esperado para as operações de grandes empresas, entre 22% e 26%, pode ser diluído entre outras formas de financiamento, como debêntures ou notas promissórias e que o avanço do saldo, efetivamente, pode ser um pouco menor no fim de 2010. "Não temos condições de precisar se irá para crédito ou para outros títulos", diz Abreu.

Há ainda o efeito do câmbio, que provocou redução no saldo da carteira de grandes empresas em 2009 pela valorização do real em relação ao dólar, mas que neste início de ano inverteu sua tendência. "Houve uma mudança de patamar e o dólar está buscando outro nível", diz Trabuco.

Já as linhas para o consumo vêm de um crescimento muito forte, o que dificulta a manutenção da mesma velocidade. "As pessoas físicas têm um limite de endividamento dado a sua capacidade de pagamento e a própria renda", afirma Trabuco. O banco espera que o crédito para veículos cresça de 10% a 14%, enquanto o cartão de crédito, de 9% a 13%. A melhor expectativa está no crédito consignado, entre 32% e 36% de expansão.

Os números do quatro trimestre da instituição já apontam essa tendência. A carteira de pessoas físicas do banco apresentou expansão de 3,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto as linhas para micro, pequenas e médias empresas registraram crescimento de 7,2%. Já o segmento de grandes empresas avançou 1,7% nos últimos três meses do ano.

Isso levou a carteira total a uma evolução de 5,8% no trimestre e de 6,8% no ano, já considerando a incorporação dos ativos oriundos do Banco ibi, fechando o ano com saldo de R$ 228,078 bilhões em dezembro de 2009. O patamar é inferior à expectativa inicial (entre 8% e 12%), mas a aceleração do crédito no quarto trimestre foi suficiente para melhorar o lucro do banco.

O Bradesco encerrou o último trimestre do ano com lucro líquido de R$ 2,181 bilhões, um valor 35,9% superior ao registrado no mesmo período de 2008, de R$ 1,605 bilhão.

O principal evento não recorrente foi a reversão de parte das provisões tributárias. O Bradesco desistiu de algumas teses jurídicas que discutia com a Receita Federal com relação a divergências nos índices da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL). Com a adesão ao Refis, conseguiu desconto de R$ 388 milhões, que foi incorporado ao lucro - as ações na justiça somavam quase R$ 2 bilhões. O banco tem até fevereiro para rever outras teses tributárias que discute na Justiça, o que poderia levar a novas reversões no próximo balanço. O Itaú também tem ações semelhantes, num total de R$ 1,138 bilhão.

No ano passado, o lucro líquido do Bradesco acumulou R$ 8,012 bilhões, avanço 5,1% em comparação aos R$ 7,625 bilhões apurados em 2008. Desse total, R$ 5,289 bilhões vieram das atividades financeiras e R$ 2,723 bilhões do grupo segurador.

Parte do lucro ficou mesmo nas despesas com calote, mas essa tendência já se inverteu e a inadimplência fechou o ano em 4,9%. A expectativa é de uma melhora nesses índices do banco ao longo deste ano, já que o pico dos calotes teria sido atingido no terceiro trimestre de 2009. Abreu disse que ainda não foram fechadas as previsões, mas que o índice de inadimplência do banco - atrasos superiores a 90 dias - deverá cair para perto de 4% até dezembro de 2010. "Isso é mais um sentimento do que um número baseado em dados."

O patrimônio líquido do banco fechou dezembro de 2009 em R$ 41,754 bilhões, com uma rentabilidade sobre o patrimônio de 23,7% no trimestre e de 21,4% no ano. Os ativos totais ficaram em R$ 506,223 bilhões. A margem financeira ficou em R$ 7,468 bilhões, alta de 26,1% em doze meses. As receitas de prestação de serviços avançaram 15,8%.

Na teleconferência de divulgação do balanço, Trabuco deu bastante ênfase à reorganização da área internacional do banco, com ampliação da atuação da asset e do banco de investimento fora do país. "Mas no varejo, nosso foco é o Brasil", fez questão de ressaltar o executivo.

Fonte: Valor Econômico

 

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