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Inf.10/306 - FEBRABAN PREPARA PROFISSIONALIZAÇÃO PDF Imprimir E-mail
Qua, 10 de Março de 2010 09:48

Quando terminar seu mandato à frente da Febraban, a federação dos bancos, no próximo dia 9 de abril, o banqueiro Fábio Barbosa não será substituído pelo presidente de um outro banco associado. Aos 43 anos de existência, a poderosa instituição que reúne a banca nacional caminha, silenciosamente, para profissionalizar a sua gestão, ou seja, escolher um executivo de mercado para comandá-la.

A informação, que ainda estava restrita a um grupo pequeno de pessoas, foi confirmada pelo Valor com dois graduados membros da Febraban. "Serão anunciadas grandes mudanças, vamos profissionalizar a Febraban", afirmou o presidente de um grande banco. De acordo com outro executivo, conversas têm sido mantidas com alguns possíveis candidatos a ocupar o posto, mas nenhuma decisão teria sido tomada ainda. Às 20 horas de ontem a informação da profissionalização foi confirmada em nota pela Febraban.

 
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Como o processo de escolha tende a levar algum tempo, trabalha-se com a hipótese de estender temporariamente o mandato de Barbosa para a transição.

Já faz algum tempo que se discute a possibilidade de profissionalizar a gestão da Febraban, mas o debate ganhou força desta vez depois que se chegou a um impasse para indicar o sucessor de Barbosa, que presidia o antigo ABN Amro Real e atualmente preside o Santander e está no comando da Febraban desde 2007.

Historicamente, a entidade é comandada por um presidente ou vice-presidente de instituição financeira, como prevê seu estatuto, seguindo uma espécie de rodízio entre os bancos.

Por esse rodízio informal seguido pelos grandes bancos, que ditam as regras dentro da instituição, seria a vez de o Itaú apontar o presidente. Roberto Setubal, o presidente do banco, no entanto, não quis voltar a ocupar o cargo. O mesmo teria acontecido com o banqueiro Pedro Moreira Salles. Recentemente, circulava a informação de que o Itaú poderia indicar o nome de Geraldo Carbone, o ex-presidente do BankBoston que atualmente toca a operação de varejo do Itaú Unibanco.

Mas a opção da profissionalização acabou ganhando força. Em boa parte, a dificuldade para se chegar a um sucessor pode ser explicada pela forte consolidação do mercado bancário brasileiro. No passado, bancos como Unibanco, Bamerindus, BCN e Noroeste, por exemplo, participavam do rodízio. Com o enxugamento do número de bancos relevantes depois das grandes fusões e aquisições, as opções se restringiram a Itaú Unibanco, Bradesco e Santander. Além disso, os presidentes das instituições enfrentam uma agenda cada vez mais carregada dentro de seus respectivos bancos, envolvidos com processos de integração ou em projetos de expansão. Já o HSBC tem porte bem menor que os demais e um de seus executivos, Hélio Duarte, acaba de assumir a presidência da associação de bancos estrangeiros, a ABBI.

Os dois grandes bancos federais, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, que ganharam mercado no último ano com arrojadas políticas de concessão de crédito, não são considerados como alternativas. Os bancos privados dão sinais claros de que não gostariam de ter um presidente de um banco público a representá-los em suas demandas perante o governo.

Em uma recente reunião na Febraban, os bancos públicos chegaram a sugerir o nome da presidente da Caixa, Maria Fernanda Ramos Coelho, para o cargo. Mas a ideia não prosperou.

Hoje a entidade conta com um presidente (Fábio Barbosa) e uma diretoria-executiva mais atuante, com representante de bancos. Entre os mais atuantes estão José de Menezes Berenguer Neto (Santander), José Luiz Acar Pedro (Bradesco) e Oswaldo de Assis (BTG Pactual).

As eleições são decididas pelos grandes bancos, com apresentação de chapa, mas a decisão sempre passa por Bradesco e Itaú.

Paralelamente à presidência, que tem um peso político, a entidade tem um diretor-geral, Wilson Levorato. O cargo foi criado com a saída de Setubal da presidência, em 2001. Gabriel Ferreira, do Unibanco, teria exigido que alguém respondesse pelas funções do dia-a-dia. O primeiro a ocupar esse cargo foi Hugo Dantas.

Fonte: Valor Econômico

 

 

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