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Inf.10/404 - HSBC é líder em captação externa PDF Imprimir E-mail
Ter, 30 de Março de 2010 08:59

Os vencedores em uma das maiores crises financeiras da história tomaram adianteira no "Ranking Valor de Captações Externas" de 2009. O HSBC, maior banco britânico em valor de mercado, que não precisou recorrer aajuda oficial para sobreviver, assumiu a primeira posição pela primeira vez nos nove anos de existência do ranking. Apesar de ter registrado perdas no varejo brasileiro, o banco investiu no atacado e esteve à frente de US$ 23 bilhões em empréstimos sindicalizados (com a participação de vários bancos) e eurobônus.

O segundo colocado foi o Santander e o terceiro, o J.P. Morgan. O Citi, primeiro em 2008, se enfraqueceu com a crise e caiu para o quarto lugar. O Banco do Brasil veio em quinto, posição nunca antes conquistada por um banco nacional.

Depois do congelamento no crédito internacional no fim de 2008, o ano passado foi movimentado e trouxe um recorde de captações externas de renda fixa para o Brasil, de US$ 40,907 bilhões, um aumento de mais de 77% na comparação com os US$ 22,9 bilhões de 2008. Muitas dessas operações haviam ficado represadas no ano anterior. Empresas dos mais diversos tamanhos começaram 2009 com grandes necessidades de financiamento e o mercado externo acabou se mostrando interessante alternativa, depois de o país obter seu terceiro grau de investimento em meados do ano. Os juros pagos nos eurobônus registraram recordes de baixa e os prazos de vencimento se alongaram. Títulos de 30 anos e até perpétuos, sem vencimento final, tiveram grande saída.

Diante da debilidade dos concorrentes em uma das mais graves crises financeiras da história, os bancos que sofreram menos investiram no Brasil e conseguiram ajudar mais as empresas, bancos e governo a buscar recursos no exterior. Os vencedores na crise tomaram a dianteira no "Ranking Valor de Captações Externas" de 2009. O HSBC, maior banco britânico em valor de mercado, que não precisou recorrer à ajuda do governo de seu país para sobreviver, assumiu a primeira posição pela primeira vez nos nove anos de existência do ranking do Valor.

Embora tenha registrado perdas com crédito no varejo no Brasil, foi em 2009 que o HSBC colheu os frutos de seu investimento em executivos seniores na área de atacado. No início de 2007, o banco contratou em Nova York o russo Alexei Remizov, ex-Dresdner e J.P. Morgan, para se dedicar ao Brasil. Em 2008, tirou Marcelo Marangon e seu time mais próximo do Citigroup. O resultado se percebe nos números: o banco esteve à frente de US$ 23 bilhões em captações externas, valor mais de seis vezes e meia superior ao total realizado em 2008. No ranking, são considerados os empréstimos sindicalizados - com a participação de vários bancos - e os títulos. O HSBC também foi o primeiro colocado em três sub-rankings. O mais importante deles é o de "Bônus", que inclui títulos de renda fixa e exclui os empréstimos.

O segundo colocado no ranking geral foi outro vencedor da crise, pelo menos até agora: o Santander, que no ano passado esteve à frente de US$ 21,149 bilhões em captações externas para o Brasil. Em número de operações, no entanto, o banco espanhol manteve sua primeira posição, ao liderar 17 transações.

A Espanha, país da matriz do Santander, no entanto, vai continuar com retração no Produto Interno Bruto este ano e vê sua dívida pública crescer, além de passar por um estouro de uma bolha imobiliária. Isso pode vir a impactar o Santander, que no Brasil, no entanto, está capitalizado pela emissão pública de ações em 2009, de R$ 13,2 bilhões.

O terceiro colocado no "Ranking Valor de Captações Externas" foi um dos maiores vencedores na crise dos Estados Unidos: o J.P. Morgan. O banco ficou muito próximo do Santander, ao realizar US$ 20,7 bilhões em transações no mercado internacional para empresas, governo e bancos brasileiros. O J.P. Morgan destacou-se, principalmente, no mercado de bônus corporativo para o setor público, ao liderar US$ 8,25 bilhões em títulos para empresas estatais, total que lhe garantiu o primeiro lugar nesse sub-ranking.

O quarto colocado no "Ranking Valor" foi o Citi, que liderou um total de US$ 18,25 bilhões. O banco sofreu muito com a crise no mercado internacional e precisou de ajuda do governo dos Estados Unidos. No mercado de captações externas para o Brasil, no entanto, continuou a se destacar, embora tenha perdido a primeira colocação obtida em 2008. O banco dividiu com o Santander a primeira posição no ranking "Empréstimos ao setor público", ao estar à frente de um total de US$ 6,75 bilhões em transações para empresas estatais.

O Banco do Brasil, um dos grandes ganhadores da crise, foi um importante destaque: pela primeira vez na história do ranking de captações externas um banco brasileiro fica entre os cinco primeiros colocados. Um movimento de busca pela qualidade fez com que em 2008 e 2009 muitos depósitos de empresas brasileiras fossem transferidos de bancos privados internacionais e mesmo nacionais para o BB, o que lhe permitiu ampliar sua força mesmo no mercado de crédito externo em dólar.

O gigante estatal conseguiu ainda a primeira posição no sub-ranking de captações por líder nacional, passando o Itaú BBA, o líder nesse ranking desde 2004. Itaú e Bradesco também subiram no "Ranking Valor de Captações Externas", 11 e 6 posições, respectivamente, ganhando mais participação.

Quem mais galgou posições, no entanto, foi o Bank of America Merrill Lynch. O banco americano subiu 24 degraus, seguido pelo BB, que subiu 21. O Société Générale, que ficou com a sexta posição no ranking geral, foi o primeiro colocado em importante sub-ranking, o de empréstimos externos sindicalizados, ao liderar US$ 10,144 bilhões em transações desse tipo. O Crédit Agricole ganhou a primeira colocação no sub-ranking de empréstimos ao setor privado, que exclui as empresas públicas e o governo: liderou US$ 4,356 bilhões.

Ao tomar um empréstimo de US$ 6,75 bilhões no meio do furacão, a Petrobras conseguiu novamente destaque no "Ranking Valor de Captações Externas", como o maior tomador/emissor. O empréstimo-ponte foi negociado pelo experiente time financeiro da empresa, que acertou separadamente a transação com cada um dos bancos, mas todos sob um mesmo contrato. Como a empresa tratou o empréstimo como um só, a transação foi considerada no ranking e acabou levando os seis líderes para a posição de primeiros colocados

Fonte: Valor Econômico

 

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