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Inf.10/406 - Santander sai na frente em número de operações PDF Imprimir E-mail
Ter, 30 de Março de 2010 09:32

A crise financeira internacional e a emissão pública de ações do banco no Brasil não desviaram o foco do time de atacado do Santander, que conseguiu manter seu segundo lugar no "Ranking Valor de Captações Externas" pelo segundo ano consecutivo. Em número de operações, o Santander também manteve sua posição de 2008, ficando em primeiro lugar.

O banco espanhol foi o líder também do sub-ranking de "Bônus corporativo do setor não financeiro", que exclui as transações da República e das empresas financeiras, além do sub-ranking de "Bônus corporativo do setor privado", que exclui transações do governo federal brasileiro e das empresas públicas.

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Mas o banco quer ampliar sua atuação nesse segmento: está contratando uma pessoa em Nova York para dedicar-se integralmente à emissão de papéis de dívida para os governos da América Latina, um dos pontos fracos da instituição financeira neste ano. Como mostram os rankings acima, o banco teve mais destaque em transações para empresas do setor privado.

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Segundo explica Eduardo Borges, que cuida da área de "credit markets" - que inclui as transações de dívida estruturada, bônus, debêntures, financiamento para aquisições, financiamento de projetos e empréstimos sindicalizados, entre outros - a ideia é ampliar os negócios no mercado secundário de papéis do governo que passam pela corretora do Santander. "Assim o banco poderá tornar-se formador de mercado para os títulos dos governos e liderar a colocação de papéis do Tesouro brasileiro e de outros na América Latina", explica.

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Segundo João Teixeira - que no ano passado era o responsável pela área corporate e de banco de investimento e agora assumiu o corporate e o "middle market"-, há grande interesse no Brasil por parte dos investidores internacionais. "O país tem sido o preferido entre os emergentes", diz.

Para ele, "as eleições deste ano deverão provocar apenas um ajuste fino no mercado, sem turbulências". Segundo Teixeira, o país vai precisar de muitos recursos para o financiamento de grandes projetos de infraestrutura e isso deve movimentar o mercado de captações externas. As perspectivas de investimentos com a Copa do Mundo e a Olimpíada são surpreendentes, diz.

Borges vê grande demanda dos investidores institucionais em geral por ativos de renda fixa de grandes corporações brasileiras em dólares ou em reais.

Borges lembra que os investidores estão aceitando até mesmo empresas que conseguiram se reestruturar depois de perdas com derivativos, como a Fibria, por exemplo. Até mesmo o frigorífico Independência, em recuperação judicial, já conseguiu vender US$ 150 milhões em títulos de vencimento final em cinco anos.

"A performance é positiva para todos os tipos de risco", lembra Teixeira. "O que importa é fazer uma precificação correta, pois a demanda existe", completa.

Borges conta que os prazos de vencimento de 30 anos para os eurobônus, tão favoráveis em 2009, agora ficam menos atraentes, pois a curva de juros dos títulos do Tesouro americano "abriu". No entanto, os prazos de dez anos ainda continuam "interessantes", avalia. No mercado interno, no entanto, ele vê a compressão dos spreads de risco de crédito limitada pelo aumento nos depósitos compulsórios.

"Em 2010, vamos combinar um grande interesse externo pelos investimentos no país, quer sejam diretos ou de portfólio, com uma grande liquidez no mercado interno brasileiro", afirmou o executivo João Consiglio, que era responsável pelo global transaction banking (que inclui as transações de comércio exterior e gestão de tesouraria para clientes) e agora vai se dedicar às médias empresas. "A eleição não vai mudar em nada essa situação favorável para o Brasil, não vai proporcionar qualquer reversão nas condições de liquidez", afirma o executivo.

Segundo ele, historicamente as eleições costumam trazer impactos mais cedo para o mercado e por enquanto esse impacto ainda não apareceu. A situação fiscal dos PIIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha) preocupa mais do que as eleições no Brasil, mas não deverá afetar de forma determinante os países emergentes se ela se mantiver como está hoje.

Consiglio lembra que o primeiro semestre do ano passado foi "muito ruim" e que hoje a situação melhorou de tal forma para o país que poucos parecem se lembrar disso. "Houve muita transação postergada e muito empréstimo bilateral de emergência", lembra Consiglio. A perspectiva de alongamento de prazo e redução nos prêmios de risco de crédito só veio no segundo semestre. "As melhorias das condições de crédito durante o segundo semestre para o país foram surpreendentes", diz.

Contribuiu de forma determinante para isso o terceiro grau de investimento obtido pelo Brasil em meados do ano, confirmando que o país havia saído bem da crise. "O capital está fluindo para o Brasil, pois a relação entre o risco e o retorno é especialmente favorável", afirma Teixeira. Segundo Consiglio, há linhas para exportação e importação abundantes para prazos de vencimento de até um ano. De acordo com ele, alguns bancos deixaram o mercado na crise, mas outros aumentaram linhas neste ano e a liquidez é grande

Fonte: Valor Econômico

 

Diretoria Executiva da CONTEC

 

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