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Inf.09/622 - VENDA DO BANESTES AO BANCO DO BRASIL Imprimir E-mail
Qua, 24 de Junho de 2009 21:00

O principal ponto de divergência que impediu, neste momento, a concretização da venda do controle acionário do Banco do Estado do Espírito Santo (Banestes) para o Banco do Brasil foi a falta de acordo sobre o preço do negócio. Também pesou a proximidade das eleições para governador, marcadas para 2010.

Para concretizar o negócio, o governo do Espírito Santo exigia uma relação entre preço e patrimônio líquido próxima à paga pelo BB ao governo de São Paulo para adquirir o controle acionária da Nossa Caixa, que foi de 2,4 vezes.

Uma fonte diz que, no caso da Nossa Caixa, essa relação era justificada porque, graças a essa aquisição, o BB, que era apenas o quarto banco em São Paulo pelo critério de número de agências, passou a ocupar a primeira posição no mercado - o maior e mais importante do país.

No caso do Banestes, de acordo com essa fonte, essa relação entre preço e patrimônio líquido deveria ser necessariamente mais baixa, porque o BB já tem posição importante no Espírito Santo. O BB tem 90 agências bancárias no Estado, e não está muito atrás do Banestes, que tem 125 agências, segundo o Banco Central.

Desde o início das negociações o BB achava esse parâmetro exigido pelo governo capixaba muito alto. Mais recentemente, a crise financeira depreciou ainda mais o valor dos bancos em geral, o que, na visão do BB, fez com que os valores exigidos pelo governo do Espírito Santo se mostrassem ainda mais elevados. O BB também vinha insistindo em pagar um valor menor após um exame detalhado feito nos valores dos ativos e dos passivos lançados no balanço do Banestes. "A diferença entre os preços era muito grande, o que tornou praticamente inviável um acordo nesse momento", afirma uma fonte que acompanhou as negociações envolvendo os dois bancos públicos.

No BB, a suspensão da negociação é vista apenas como temporária, com grandes chances de ser retomada no início de 2011, num outro ambiente econômico e político. O governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), considera que tem grandes chances de fazer o sucessor e receia o desgaste político de, às vésperas das eleições, se desfazer do banco estatal, mesmo num arranjo em que o BB garanta a manutenção de investimentos e do crédito necessários para o desenvolvimento do Estado. Após as eleições, o ambiente político se tornaria mais favorável e, até lá, o pior da crise poderá ter passado, contribuindo para elevar o valor de mercado do Banestes.

Do lado capixaba, a versão para o malogro das negociações , segundo o Valor apurou, é a de que o BB estava querendo pagar menos do que o banco valia. De acordo com essa fonte, o BB estava usando a tática de botar defeito para comprar mais barato. Como o banco não estava à venda nem o Estado precisando fazer caixa, o governo capixaba teria chegado à conclusão que não valia a pena manter as negociações.

Ainda segundo a mesma avaliação, as negociações se prolongaram por tempo demais e o "timing" da operação teria se perdido. A postura do Banco do Brasil teria mudado após a troca de comando do banco federal ocorrida no começo de abril, quando o então presidente Antonio Francisco Lima Neto, acusado de manter os "spreads" do BB muito elevados, foi substituído por Aldemir Bendine.
Fonte: Valor Econômico

Diretoria Executiva da CONTEC
 

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