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Inf.08/715 - CRÉDITO PARA CARRO FICA MAIS RESTRITO Imprimir E-mail
Seg, 07 de Julho de 2008 21:00
O boom do crédito para a compra de veículos começa a mostrar uma nova face. Dados do Banco Central mostram que a inadimplência nesses financiamentos cresce desde o início do ano e o porcentual das prestações com atraso maior que 90 dias atingiu o maior nível em cinco anos. Com isso, bancos pisaram no freio e os empréstimos, que estão cada vez mais criteriosos, também estão mais curtos.

Em maio, 3,66% dos financiamentos apresentavam atraso maior que três meses. Equivalente a R$ 3 bilhões, o porcentual é o segundo pior da série histórica do Banco Central, iniciada em 2000, e mostra aumento ininterrupto da inadimplência há cinco meses. Somados, os atrasos acima de 15 dias atingiram R$ 9,4 bilhões em maio, ou 11,21% de todos os financiamentos para compra de veículos registrados no BC.

Os números estão sendo acompanhados de perto pelos bancos, que são bastante cuidadosos ao tratar do tema. O economista-chefe da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Nicola Tingas, diz que o aumento da inadimplência no ritmo observado até agora pode ser considerado "natural". "O mercado incorporou muitos clientes novos, que nunca tinham comprado um carro. Geralmente, esse consumidor tem renda menor e financiou a compra porque confiava no futuro e na sua capacidade de pagar."

Mesmo assim, diz, os números não preocupam. "Estamos muito longe disso, de uma crise", afirma, ao comentar que "sequer a luz amarela foi acesa" e a inadimplência nesse setor é muito menor que a de outros segmentos. Nessas operações, o próprio carro serve de garantia para o banco. Isso faz com que, por exemplo, o volume a ser provisionado para fazer face à inadimplência seja menor que em outras transações.

A inflação crescente, que tem corroído o poder de compra das famílias, é uma das explicações para a piora dos números. Mas um erro de planejamento financeiro pode ter pego muitos motoristas de surpresa.

"Os mesmos clientes que geraram o boom do crédito estão se deparando com custos que muitos podem ter esquecido na compra, como o IPVA, seguro ou um eventual gasto com mecânico", diz Rodrigo Del Claro, diretor da Crivo, consultoria de análise de crédito que presta serviço à maioria do mercado de financiamento automotivo.

Segundo ele, boa parte da inadimplência tem ocorrido entre consumidores das classes C e D, muitos deles que compraram o primeiro carro nos últimos meses. Para Del Claro, a inflação ascendente acaba potencializando o efeito negativo da falta de planejamento.

Com inadimplência em alta, bancos têm adotado comportamento mais restritivo na hora de financiar um carro. Na prática, isso significa mais exigências para aprovar um financiamento e prazos menores. Esse encurtamento é considerado ponto central no financiamento de carros, pois o prazo é que determina se a parcela cabe ou não no bolso do cliente.

Alessandro Soldi, diretor superintendente do grupo Saga, líder do setor em Brasília, lembra que há cerca de um ano era possível comprar um carro em até 84 meses com certa facilidade. Em alguns casos, como no concorrido mercado paulistano, algumas concessionárias se vangloriavam de financiamentos em 99 meses. "Esse comportamento começou a gerar reflexos na inadimplência, que passou a crescer. Então, os bancos começaram a ser mais criteriosos e hoje os financiamentos mais amplos têm 60 meses."

Fonte: Estado de S.Paulo
Diretoria Executiva da CONTEC
2008 – CONTEC 50 ANOS
 

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