| Inf.09/847 - LUCRO DO BRB |
|
|
|
| Seg, 31 de Agosto de 2009 04:57 |
|
O Banco de Brasília (BRB), que na última quarta-feira divulgou um lucro recorde de R$ 71 milhões no primeiro semestre deste ano, vai investir pesado em uma estratégia para se transformar no principal banco de fomento da Região Centro-Oeste. O primeiro passo já está sendo dado, com a instalação de 300 novos correspondentes bancários (hoje são apenas 100) na periferia de Brasília e em várias cidades do Entorno. Além disso, a instituição vai desembarcar em novas praças, com a abertura de agências em Campo Grande (MS) e Cuiabá (MT) - fora de Brasília, hoje o banco está presente apenas em Goiânia, Rio de Janeiro e São Paulo. Ao mesmo tempo em que aumenta sua capilaridade, o BRB quer atrair clientes. Para isso, estão sendo abertas novas linhas de crédito. Para suportar essa expansão, um concurso público deve elevar o atual contingente de funcionários da instituição, de 2.444 pessoas, em pelo menos 10%. A expansão é a saída encontrada para driblar o risco de perder clientes a partir de 2012, quando entra em vigor a portabilidade bancária instituída pelo Banco Central (BC). A nova regra permitirá aos servidores públicos o direito de escolher a instituição bancária em que querem receber seus salários. Para um banco que tem no funcionalismo metade de seus 400 mil clientes, a nova regra pode ser uma ameaça. Apesar desse cenário incerto, o diretor-presidente do banco, Ricardo de Barros Vieira, garante que a instituição está se preparando para enfrentar a concorrência. O caminho é longo, como admitiu em entrevista concedida ao Correio na última quinta-feira, um dia após a divulgação do resultado contábil. De acordo com o executivo, que comandou a Diretoria de Varejo do gigante Banco do Brasil, novas linhas de crédito já estão prontas: uma para comerciantes da avenida W3 que desejam revitalizar seus negócios e outra para pessoas físicas e jurídicas de cidades do Distrito Federal e do Entorno que queiram fazer reformas imobiliárias. Novos produtos e serviços estão sendo modelados para completar o cardápio do BRB, hoje carente de muitos itens em relação à concorrência. Mas o lucro de R$ 71 milhões, 2,4% mais que no mesmo período do ano passado, é uma prova de que a casa já está arrumada para crescer, ressalta Vieira. O volume recorde é fruto de várias medidas adotadas pela nova gestão, entre elas uma profunda reorganização societária, o esforço na área de governança, o aumento do número de funcionários e a expansão do leque de ofertas de produtos e serviços. Os ajustes, conta Vieira, surtiram impactos. Recém-passado por uma crise institucional e outra de dificuldade de capitalização, o banco conseguiu não só manter a base de clientes, como também elevou em 32% a carteira de crédito em relação ao mesmo período do ano passado. O volume de operações de concessão de crédito chegou a R$ 3,1 bilhões no primeiro semestre, contra R$ 2,3 bilhões registrados nos primeiros seis meses de 2008. E esse volume poderia ser superior em pelo menos R$ 1 bilhão, segundo Barros Vieira. Sobre as negociações para a venda da instituição ao Banco do Brasil, aquisição que vem sendo discutida há cerca de dois anos, o executivo não fala, apesar de o governador JOSÉ ROBERTO ARRUDA ter dito que a venda "está descartada". Qualquer posicionamento de Vieira representaria uma quebra de sigilo e poderia gerar problemas com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Assim como qualquer previsão sobre lucro futuro. Mas ele se arrisca a dizer que 2009 será "o ano do BRB". E dá uma boa notícia para quem deseja entrar para o serviço público: o BRB deve publicar ainda este ano dois editais de concursos públicos, um para a contratação de escriturários e outro para advogados. Confira abaixo os principais trechos da entrevista: O BRB tem um histórico de lucros muito pequenos, mas, nos últimos quatro anos, o quadro se inverteu. O que explica a guinada e o lucro recorde no primeiro semestre deste ano? O BRB vem em um processo de ajuste, de realinhamento, faz tempo. O banco sofria de várias coisas, primeiro, talvez, de uma falta de foco. É um banco pequeno, que tem problemas de escala a perseguir, então ele tem que ser muito eficiente para competir. Fizemos um esforço muito grande na área de governança e fizemos uma reorganização societária no grupo. Antes o banco tinha participação minoritária em uma distribuidora de títulos e valores e uma financeira, que competiam com ele. Hoje continua tendo as empresas como subsidiárias integrais, mas tem o controle delas - quase 70% das ações. Vimos o que estas empresas valiam e o que o BRB representava para elas, passamos a ter o controle acionário, exigimos uma remuneração de mercado, e, em contrapartida, demos exclusividade para elas. Trouxemos um patrimônio de R$ 400 milhões que não estava no grupo. O banco passou por uma crise institucional em 2007. Como foi a superação desse problema e a volta por cima? O processo está em curso e as pessoas acusadas estão se defendendo. Quando o banco é instado a prestar informações, nós atendemos, mas, do ponto de vista prático, isso não afeta o dia a dia. O que fica é só o desgaste da placa, mas os clientes de Brasília entenderam que não era o banco. Houve um desgaste da placa, mas em nenhum momento houve fuga de recursos ou fuga de clientes. Até um ano atrás, a carteira de crédito do banco crescia abaixo da média do mercado, mas, no 1º semestre deste ano, o banco elevou o volume de operações de concessão de crédito em 32%. O que foi feito? Antes a financeira do BRB concorria com o banco. O funcionário de um oferecia o mesmo crédito do funcionário do outro. Agora, clientes do BRB, o BRB trabalha. Não clientes do BRB, a financeira trabalha. Além disso, pré-aprovamos linhas de crédito, nos preparamos para atender sem burocracia. Antes o gerente queria saber para que o cliente queria o dinheiro, agora ele tem a linha pré-aprovada e utiliza o dinheiro para o que quiser. É assim que fazem todos os outros bancos. Com a cisão da financeira, o ativo dela que era com clientes do BRB veio para cá, e, fora disso, voltamos a atuar mais fortemente na área imobiliária, estamos mais ágeis e proativos no financiamento. Isso tudo ajudou a alavancar nosso crescimento dos ativos. Mas é com análise, não é fazendo empréstimo por fazer. Por exemplo, vamos lançar uma linha para financiar reformas da revitalização da W3 e também para reformas de pequeno valor em residências e comércios do Entorno. Temos disponibilidade de recursos para isso. Quando cheguei, o banco enfrentava dificuldades para alavancar, havia discussões sobre sua necessidade de capitalização. Hoje o banco tem Basiléia de 13,8%. Isso significa que a gente tem espaço para fazer mais R$ 1 bilhão, R$ 1,5 bilhão de crédito. A necessidade de capitalização era um dos motivos que levaram o Governo do Distrito Federal a iniciar a negociação para a venda do BRB para o Banco do Brasil. Esta semana, no entanto, o governador JOSÉ ROBERTO ARRUDA descartou a venda. As negociações estão encerradas? O que é público atualmente é um fato relevante publicado pelo Banco do Brasil e pelo Banco de Brasília dizendo que estão em curso estudos prevendo uma possível negociação. Como não foi publicado nada diferente, não há formalmente nada que contraponha esse fato relevante. O BRB já anunciou a intenção de abrir agências em praças que ainda não contam com a presença do banco, como Campo Grande (MS) e Cuiabá (MT). Como é o projeto de expansão e por que ir para outros estados? Esses estados não têm bancos estaduais, estamos indo para competir, dentro das nossas possibilidades. Vamos visitar governos estaduais, prefeituras, empresas. Vamos lá disputar a preferência desses clientes. No Entorno também vamos expandir. Hoje são 100 correspondentes bancários nas cidades do DF e no Entorno, queremos chegar a 400 até março, abril do ano que vem. Queremos ser o banco da Região Centro-Oeste. É uma saída para crescer quando não tivermos mais o cliente cativo. É um dos caminhos para 2012. Em 1º de janeiro de 2012 tem início a portabilidade (servidores passarão a ter direito de escolher o banco em que querem receber seus salários). O BRB está preparado para enfrentar a concorrência? Temos um desafio claro. E não adianta se preocupar em 31 de dezembro de 2011 porque aí não tem o que fazer. E para que a gente seja competitivo, para não perder clientes, tem que se tornar eficiente e competitivo naquilo que não somos. Até 2012 precisamos ter um portfólio de produtos adequados, precisamos ter seguro de todos os tipos, previdência privada, cartão de crédito. E todos têm que ser competitivos. Não temos um portfólio completo e estamos trabalhando para resolver 70% ou 80% de nossos problemas de lacuna até o fim do ano. Queremos buscar a completa prateleira de produtos. O projeto de expansão prevê a contratação de novos funcionários? O governo autorizou o banco a fazer concurso. Este ano o edital está na rua. Tanto o concurso para escriturário quanto para a carreira de advogado. Não será um número fechado de vagas. O edital deve prever que serão chamados à medida que for necessário. Mapeada a necessidade, observada a rentabilidade da empresa, você chama mais pessoas (somente nos últimos 12 meses foram convocados cerca de 200 escriturários aprovados no último concurso, realizado em 2005). Atualmente existem advogados que são funcionários de carreira que foram designados para o cargo. Fizemos um acordo com o Ministério Público e vamos criar uma carreira específica de advogado. Pelo menos cinco profissionais serão chamados logo de cara. Os bancários estão em fase de negociação salarial. O lucro recorde abre a possibilidade de um reajuste elevado, como os 10% reivindicados pela categoria? Com a entrada em vigor do plano de carreira em julho deste ano esperamos vencer uma série de passivos, demandas históricas dos bancários. Quanto ao percentual, não fechamos questão quanto a isso, mas nossa tendência é acompanhar o que foi dado pelo setor. Não podemos olhar só se estamos dando lucro para dar o reajuste. O banco não foi feito para isso, o banco tem que dar retorno também para a sociedade. Tem um compromisso social não só com os funcionários, mas com toda a sociedade. Quais as previsões para este ano? Nossa expectativa é que o resultado de 2009 seja maior que o do ano passado, de R$ 110 milhões. Estamos trabalhando, perseguindo um número maior. Mas já ganhamos este ano na qualidade do resultado. Fomos muito mais rigorosos neste primeiro semestre em provisões por conta de devedores duvidosos. Se tivéssemos mantido um conceito histórico do BRB, provavelmente uns R$ 50 milhões que reforçamos de provisão não seria feito, então o resultado seria bem maior que R$ 72 milhões. Estamos sendo mais conservadores, mais rigorosos no nosso provisionamento. Fonte: Correio Braziliense
Diretoria Executiva da CONTEC |